Quadras e Sonetos

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“A poesia de Alberto Miranda (Bragança, 1912–1992) constitui um exemplo singular de resistência estética à voragem das vanguardas e das transformações socioculturais do século XX. Atuando entre as décadas de 1940 e 1980, Miranda inscreveu-se, de maneira consciente, na tradição lírica portuguesa, retomando as formas fixas — em especial a quadra e o soneto — para construir uma obra de forte enraizamento telúrico e imagético”. (Maria João Cantinho, no prefácio à obra)

” A presente edição constitui, desta maneira, uma forma de agradecimento, por tudo o que aprendi sobre Literatura, sobre Poesia e sobre Crítica Literária. Por tudo o que aprendi sobre tempo de qualidade, também agradeço e tento perpetuá-lo com o meu neto Alban. Houve um tempo de afecto enorme, um tempo em que rimos e chorámos, um tempo em que analisámos a História, as decisões políticas, os conflitos sociais, as personalidades marcantes da época, os grandes artistas e escritores. Pela mão do meu avô recebi livros que li, comentei e resumi, tratando-se este gesto de uma forma pedagógica de me sensibilizar, quer para a profundidade da leitura, quer para o pensamento crítico”. (Marília Miranda Lopes, neta do autor, coordenadora da edição)

Algumas apreciações sobre a poesia de Alberto Miranda

“Há, no entanto, na sua poesia, uma revelação constante de cultura literária humanística com largos conhecimentos dos valores estéticos da sua época.” (Otílio Figueiredo)

“Em alguns sonetos chega a atingir rara grandeza, podendo equiparar-se a consagrados de figuras literárias de relevo.” (Revista CNA)

“A mestria do ritmo, dom que persiste desde os primeiros livros que lhe conheço e lhe conferem o direito de assento entre os bons poetas de raiz popular (notáveis algumas das suas quadras); a busca da imagem precisa, condizente com uma inquietação que lhe anima momentos de forte vivência, em que o eu se perde e se reencontra; a expressão de uma desencanto que algo terá a ver com certo condicionalismo criativo e com imponderáveis afectivos — temática da poesia de sempre; o travejamento sólido da arquitectura discursiva, em que a linha sintagmática avança numa ondulação dotada de pronunciada simetria — eis algumas características da linguagem de Alberto Miranda (…)” (António Cabral)

“Alberto Miranda tem, decididamente, o dom da poesia total, isto é, da que se sente e da que se escreve (…) O dom de apreender poeticamente a realidade prolonga-se no dom de a recriar em formas clássicas cheias de sonoridade e harmonia (…).” (A.M. Pires Cabral)

“Nos seus poemas há proporção, leveza, graciosidade e poesia” (Ângelo Minhava)

“Alguns dos seus sonetos (…) agradam-me deveras. São versos dum poeta” (Hugo Rocha)

“Os seus poemas (…), mesmo aqueles que aderem à corrente do verso branco, conquistam a minha admiração: têm ritmo, têm substância e a sua filosofia.” (Carlos Valle)

“Alberto Miranda, poeta dotado de pensamento elevado e fácil inspiração (…). Os seus poemas deixam-nos um travo de fruição inesquecível.” (Rebelo Bonito)

15x23xm – 240 páginas

Seda Publicações, 2025 – ISBN 9789893633748

Edição organizada por Marília Miranda Lopes

Autor

Alberto Miranda

Alberto dos Santos Miranda nasceu em Macedo de Cavaleiros no dia 14 de Fevereiro de 1912. Faleceu em 1992 em Vila Real, cidade onde viveu praticamente toda a vida adulta. Como escritor, Alberto Miranda foi sobretudo um poeta, embora tenha publicado (por vezes com regularidade) textos de carácter jornalístico e apreciações literárias. A sua lírica correu geralmente com respeito dos cânones tradicionais: rima e métrica, uma poesia agradavelmente eufónica, revelando uma notável segurança em especial nos géneros quadra popular e soneto. Os temas dominantes foram sempre a saudade, a desilusão, pessoas e lugares concretos. Publicou os seguintes títulos de poesia: «Musa Incerta» (Vila Real, 1957, com prefácio de António Cabral); «Regresso» (Vila Real, 1962); «Relíquias da minha terra» (Vila Real, 1966, 2.ª edição em 1992); «Entre dois rumos» (Vila Real, 1981, com capa de João Estrócio; constitui o n.º 1 da Colecção Tellus, da Câmara Municipal de Vila Real); «Antologia Poética» (Vila Real, Publicações Setentrião, 1985); e «Aguarelas» (Vila Real, 1988; constitui o n.º 3 da já citada Colecção Tellus). Para além disso, colaborou com bastante regularidade em várias publicações, como: «Amigos de Bragança», «Além-Douro», «Alto Tâmega», «A Região», «A Voz do Nordeste», «Bairrada» 8.ª partir de 31 de Dezembro de 1958), «Catassol», «Gazeta Literária» (órgão da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, de quem era membro), «Gil Vicente», «Nordeste Cultural», «Notícias do Douro», «O Cávado», «O Transmontano», «O Vilarealense», «Revista CNA» (do Colégio Nun´´Alvares), «Tellus», etc. Obteve prémios em diversos concursos poéticos, como sendo o 1.º prémio dos Jogos Florais Transmontanos em 1956 e em 1958, e do concurso de quadras de S. João promovido pelo “Jornal de Notícias” em 1960.

Marília Miranda Lopes

Marília Miranda Lopes nasceu no Porto, a 22 de maio de 1969. Formou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade da cidade onde nasceu. É professora de Língua Portuguesa do Ensino Secundário e formadora pelo Conselho Científico-Pedagógico de Formação Contínua nas áreas das Didáticas Específicas e das Oficinas de Escrita - Poesia e Teatro. Foi bolseira dos Serviços de Belas Artes da Fundação Calouste Gulbenkian, ao abrigo do programa "Dramaturgia Portuguesa". É autora de canções para a infância que integram vários projetos de animação do livro e da leitura, apresentados em auditórios, bibliotecas e escolas. Escreveu "Framboesas" (Teatro, 1996), "Geometria " (poesia, 1998), "O Escudo Invisível" (conto da antologia "Histórias Tiradas da Gaveta " edições Tellus); "Maria da Silva, pastora e rainha" (peça ainda inédita, representada pela Filandorra - Teatro do Nordeste; 2002); "O Reino Verde de Buttery" (Conto inédito dramatizado pela Filandorra, em 1996) "Templo" (poesia, coleção Tellus, nº10; 2003); "Duendouro" Era uma vez um rio (Teatro, 2007 - Edições Afrontamento - livro incluído no Plano Nacional de Leitura), "Aqua" (conto, 2012 - incluído na antologia Pegadas com autores portugueses e espanhóis - de A Porta Verde do Sétimo Andar) e "Castas" (Poesia, 2012 - Cadernos Q de Vien de A Porta Verde do Sétimo Andar - Galiza, Espanha). Tem participado, com poesia, ficção e crítica literária, e algumas revistas e antologias (Portugal, Espanha, África e Brasil. Publicou: "Os Electrões Também Devem Ter Alma", Editora Exclamação, 11-2021; "Procura a Ática", Editora Labirinto, 12-2020; "Victorianas", Labirinto de Letras 04-2015. É coautora de "Sorrisos de Pedra, 31 variações sobre desenhos de Judy Rodrigues" (Seda Publicações, dezembro de 2021).