Homenagem a Maria Mamede: textos de Nelson Ferraz e Libânia Madureira

A Habitual Festa de Aniversário de “A HORA DA POESIA” (org. Dra. Conceição Lima), tomou novo formato, sendo substituída por uma FESTA DE HOMENAGEM. No passado dia 3 de maio, foi homenageada MARIA MAMEDE. Foi tempo, foi hora de lhe mostrarmos e demonstrarmos a nossa gratidão, o nosso reconhecimento, a nossa admiração! A sessão decorreu no Auditório Municipal de Caldas de Vizela. Foi um tributo à Mulher, à Poetisa que, na sua vasta obra poética (mais de 40 livros publicados) soube acender emoções e renovar o mundo.

NELSON FERRAZ – Texto lido na sessão de homenagem a Maria Mamede, Vizela 3 de maio 2025
A poesia de Maria Mamede é um chão onde apetece ficar. Um chão autêntico, que foi sempre território sagrado, da beleza singulardas suas palavras, tão complexas de tão simples. Poeta intemporal, de emoções maiúsculas, que as pessoas conhecem e admiram. O seu percurso é um rio branco, onde o Amor esvoaça, à procura da natureza que nasce na madrugada e no arrebol de cada verso. A sua poesia é ela própria: Uma flor inteira, em cada pétala do seu coração que é poema aceso. Escreve como ninguém. Escreve, com a qualidade silenciosa dos poetas maiores. Literariamente, é um caso sério e, academicamente, para levar muito a sério.
A partir de Maria Mamede, ficou mais difícil ficarmos os mesmos, depois de a lermos. Porque é fácil encontra a luz, a paixão e a ternura, em todas as páginas da sua vastíssima obra. Mulher e Poeta são grandes e será, sempre, grande, o que delas se disser. Ler Maria Mamede é procurar pássaros de sílabas, num céu de folhas azuis. É encontrar a definição de ser-se humano, buscando por nós, nos seus maravilhosos versos.
E claro que há efeitos secundários: Mais de uma pessoa em cada duas, rever-se-á nas palavras das suas páginas. A sua voz, de menina antiga, ecoa, límpida e serena, poemas adentro, uma voz que nos contagia com o brilho da sua escrita e nos liga à terra e à luz.Daí, o encantamento que nos invade, sem pedir licença.
Sabes? O tempo é uma invenção dos deuses medíocres. A poesia, esta poesia, a tua poesia, não cabe na duração das coisas. E porque só os espelhos têm rugas, princípio e fim confundem-se no percurso vulgar da existência que nos é. Estar alegre e estar triste, escrevem-se na mesma lousa em que a pena se desloca, fugindo da esponja.
Contigo, Maria Mamede, percebemos que talvez sejamos o vértice das arestas que procuramos no céu. Mas o céu, minha querida Amiga, não é um limite credível. Céu é, apenas, um nome: O teu nome. E tens razão, quando dizes que tudo o que temos é o instante. Um instante como este. A Poesia está em festa e tu és a Poesia.
Parabéns!
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LIBÃNIA MADUREIRA – “Quando a Palavra se Faz Luz: Homenagem a Maria Mamede”. Vizela, 3 de maio de 2025
No dia 3 de Maio, no acolhedor ventre do Auditório Municipal Francisco Ferreira, desenrolou-se um entardecer que se fez alvorada da alma — um momento suspenso no tempo, onde a poesia se acendeu em cada olhar, em cada suspiro partilhado. Ali, entre silêncios cúmplices, palavras sopradas como brisa quente e ao som de uma música de ternura, homenageámos Maria Mamede — a poetisa do sentir profundo, que tão viva e presente está entre nós — que, como uma Fénix de versos e memórias, renasceu nas vozes e nos corações presentes.
Foi pelas palavras sábias, serenas e iluminadas de Conceição Lima que Maria Mamede nos surgiu, não apenas como autora, mas como constelação viva. Assistimos ao espetáculo das suas letras, como quem presencia um milagre de luz — palavras dançando ao som de melodias ancestrais, tingidas de sol e mistério, que trespassaram o véu do visível e tocaram o íntimo do cosmos.
Cada verso… cada metáfora… era uma carícia à alma, um eco eterno que vibrava na pele e se enraizava no coração. As palavras de Maria tornaram-se bússolas interiores, revelando geografias ocultas da emoção, redesenhando horizontes com a luz das coisas [e]ternas, sem sombras. A sua obra, e a sua essência humana, foram desveladas com a ternura de um abraço antigo, num irradiar de calor e beleza, como quem acende velas num dia que “Outrora” fora nublado. Os seus livros, como pincéis mágicos, pintaram telas que sabiam chorar e sorrir, que fizeram do silêncio uma canção… e do tempo um “Instante” sagrado.
Nesta celebração, ressoaram também os testemunhos comovidos e genuínos dos que, ao longo do tempo, prefaciaram as suas obras. As suas palavras teceram-se como véus de seda sobre a memória viva de Maria Mamede, revelando a grandeza da sua escrita e a profundidade do seu olhar sobre o mundo e o ser humano. Em cada testemunho, ouviu-se um amor reverente — como quem descreve não apenas uma autora, mas uma alma que se tornou morada de poesia.
E o seu editor — cúmplice e cuidador da palavra — partilhou connosco a admiração que nutre por Maria Mamede, não apenas pela criadora de beleza que é, mas pelo ser íntegro, generoso e luminoso que a habita. As suas palavras foram um espelho cristalino do respeito e da estima por alguém cuja obra ultrapassa o papel e floresce na vida. Aos filhos, Miguel e Raquel, @s net@s — guardiões da sua luz — estendemos o nosso mais terno abraço. Em vós habita agora a centelha viva da matriarca, que continua a soprar poesia ao mundo… guardando viva a sua presença inspiradora, com a luz e a paixão que sempre a distinguiram.
Um tributo de amor e gratidão à incansável “Madrinha dos Poetas”, Conceição Lima, cuja visão e entrega trouxeram este abraço cultural ao coração de Vizela. O seu gesto fez da cultura um gesto de amor — um sopro de vida — que se espalha como perfume de flor aberta. E um profundo agradecimento à Câmara Municipal de Vizela e à Rádio Vizela, por darem corpo e voz a esta celebração. Em tempos sedentos de sentido, os vossos gestos são faróis que iluminam o caminho da alma sedenta de beleza e pensamento. Foi um fim de tarde que se fez noite com doçura… um crepúsculo que nos envolveu como um manto de estrelas, onde o dia beijou a noite com a ternura de um primeiro amor, e a lua desceu para nos tocar a pele — como um segredo partilhado entre o céu e o coração.
Hoje, o meu aplauso é para todos e todas, com uma rosa branca, nesta caminhada e nesta celebração… desejando que continuemos junt@s, nós e o mundo, dando as mãos, para iniciarmos o futuro de um tempo ainda por viver, ainda com páginas em branco, espalhando a beleza estonteante e o amor que temos pela palavra — dita e escrita — marcando os encontros com laços de poesia.