Sol a amaciar as pedras
Saboreei o livro “Sol a amaciar as pedras”, do poeta Miguel Leitão como quem faz uma bela viagem por longínquas paragens sem necessidade de sair do quarto, pese embora a recomendação de Almeida Garrett de que tal apenas se entende para “quem está à beira dos Alpes, no inverno, em Turim, que é quase tão frio como Sampetersburgo”. Como me restaram saudades dispersas, voltei ao início do livro, refiz a viagem e aconteceu-me como se tivesse viajado num comboio transparente, tão intensa foi a impressão de claridade que me ficou da sua linguagem arejada e luminosa. Ler estes poemas é, portanto, entrar numa viagem feliz. É um encontro bom, um daqueles bons encontros à lareira, rodeado de memórias felizes, mesmo quando sofridas, perturbadoras embora, pois só numa memória que perturba pode existir vida. (Aires Montenegro)
Autor
Miguel Leitão

