“As fisgas e os pássaros que fugiram”: Mário Máximo acerca de “9 de maio”, poética de Rui Luzes Cabral

“As fisgas e os pássaros que fugiram”: Mário Máximo acerca de “9 de maio”, poética de Rui Luzes Cabral

‘AS FISGAS E OS PÁSSAROS QUE FUGIRAM’

Acerca do livro ‘9 de Maio’ da autoria de Rui Luzes Cabral

“Como Pássaro Novo a Sair do Ninho” é um livro de poemas que merece atenção e reflexão. Trata-se de uma obra poética pensada e estruturada. Uma obra que nos transmite um percurso coerente sobre a vida (as experiências) e a interioridade do seu autor. Um homem sereno, que muito cedo se dedicou à cultura e às artes. Não deixa de ser curioso que na primeira frase do texto que constitui uma espécie de Nota de Autor, há uma citação de uma referência maior da cultura portuguesa. Refiro-me a Agostinho da Silva. Reproduzo a citação: “O Homem não nasce para trabalhar, o Homem nasce para criar, para ser o tal poeta à solta”.  Este sentido romântico (talvez até deva referir ‘visionário’) do grande pensador português, serve de mote para Rui Luzes Cabral se abalançar à confeção de um livro de texto poéticos. O seu primeiro livro. Escrito ao longo do tempo. Não é uma obra de impulso. É uma travessia.

Estas palavras escrevi eu, quando me debrucei sobre o primeiro livro de poemas de Rui Luzes Cabral: ‘Como pássaro novo a sair do ninho’.  Agora, ao debruçar-me sobre o seu segundo livro, ‘9 de Maio’, creio que as poderia reproduzir. De facto, também o segundo livro de Rui Luzes Cabral ‘Não é uma obra de impulso. É uma travessia’. Uma travessia feita de iluminações, de labaredas, de riscos e de inspirações. Mas sempre tocando um forte humanismo.

Neste ‘9 de maio’ começo por registar o dia e a hora. O dia e a hora, fixem. Na verdade, a poesia de Rui Luzes Cabral pulsa como um relógio. Mas, ao invés de medir o compasso do tempo mede o compasso do coração que lhe sobrevive dentro do peito. Não é nenhuma realidade exterior que lhe toma as sensações ou os versos. É, isso sim, o pulsar do coração quem medo o tempo que há em volta. O coração de Rui Luzes Cabral é o Tempo Médio de Greenwich da sua poesia. E se digo ‘quem mede’ é porque o coração do poeta não é nenhuma coisa ou máquina é um ser com autonomia. Pertence ao poeta mas vibra autonomamente.

O livro que aqui hoje nos trouxe celebra os cinquenta anos da existência do seu autor. Curiosamente, e para que conste, 9 de maio é o dia de São Máximo, o terceiro bispo de Jerusalém (e também é o dia de Santa Lúcia de Marillac ou de São Jorge). São Máximo, aliás, viveu nos tempos conturbados da ascensão do cristianismo. Seria perseguido e torturado. Ter-lhe-ão vazado o olho direito e decepado parte da perna direita. Mas recompôs-se e não deixou de manter a sua fé. Firmeza de outros tempos.   

No calendário, o dia 9 de maio, é o centésimo vigésimo nono dia de cada ano ou, no caso dos anos bissextos, o centésimo trigésimo dia. Rui Luzes Cabral ao optar por atribuir ao seu segundo livro de poemas precisamente o título que consagra a respetiva data de nascimento fê-lo pleno de convicção. Os cinquenta textos que compõem o livro foram escritos entre 2019 e 2025.

Há uma matemática composta neste livro que julgo relevante. E digo composta porque se trata de uma sequência de cinquenta poemas que atravessam seis anos (de 2019 a 2025) e que batem horas assim como um relógio de parede antigo. Os anos de 2020 a 2023 são os mais prolíficos: respetivamente nove, dezassete, dez e sete poemas. O ano de 2019 contribui com três poemas e os anos de 2024 e 2025 contribuem com dois poemas cada. Porém, anote-se que os dois poemas de 2025 percorrem, por junto, doze páginas. O último poema é, aliás, o mais longo poema do livro perfazendo oito páginas.

Mas a matemática não termina aqui: há uma marcação surpreendente nesta obra de Rui Luzes Cabral. É que cada poema apresentado regista o dia em que foi escrito e a hora em que foi terminado. E agora vejam como o poeta pode ser escrutinado por essa informação: dois poemas foram escritos de manhã; onze poemas foram escritos à tarde; treze, durante a noite e, por fim, vinte e quatro escritos pela madrugada. Podemos concluir que ‘9 de Maio’ é essencialmente um livro de criação notívaga: pois trinta e sete dos cinquenta poemas são escritos a partir das 20 horas. O que é normal se atentarmos no facto de a atividade principal do autor ser a de autarca. Ou seja, sem tempo para escrever durante a manhã e durante a tarde. Poderão dizer que se trata apenas de curiosidades. Mas não são. É que tudo tem as suas consequências. E no caso direi que a noite e a madrugada são as partes do dia em que os poetas costumam operar poemas e versos. Ernest Hemingway escreveu um livro intitulado ’O Jardim do Éden’ em que o protagonista é um escritor que escreve das seis horas da manhã até ao meio dia e que depois se entrega às delícias de um farto almoço, de passeios sequentes na praia incluindo mergulhos, degustação de bebidas nomeadamente cocktails seguindo-se o jantar e a ceia. Claro que sempre acompanhado pela presença do ente feminino. Amor e desejo fruídos intensamente não faltam a esse escritor personagem. Enfim, Rui Luzes Cabral não poderia escrever a sua obra entre as seis da manhã e o meio dia. Um autarca tem de cumprir horários rígidos. E tão rígidos que muitas vezes não têm programação nem fim. Há sempre uma outra missão a cumprir. E acreditem, sei bem do que falo aqui…

II

‘9 de Maio’ é um livro intenso. E só poderia sê-lo pois o autor quis pintar-nos uma contemplação do seu caminho existencial. Rui Luzes Cabral é um homem inteiro. Um homem que sabe ser da cidade e do campo. Que sabe ser do passado e do futuro. Para ele, o presente é o alibi para duas contemplações simultâneas: a contemplação das raízes e do tempo que passou, a sua caixa memorial; e a contemplação do que há de vir: a enunciação dos lugares interiores e exteriores onde se fundem os seus sonhos e as suas realidades em perspetiva.

Rui Luzes Cabral sentiu a emergência de se questionar enquanto cidadão e homem livre e enquanto escritor. Diga-se que o segundo livro é sempre o livro mais delicado. É que todos podem escrever um primeiro livro. O mais difícil é escrever o segundo. Pois, salvo exceções, é aí que nasce, verdadeiramente, a obra. Houve escritores de um livro só? Sim, houve. Mas tal só confirma o carácter excecional dessa condição.

Todavia, Luzes Cabral foi mais longe em sua demanda. Quis levantar perante si e perante o mundo a data da sua ascensão ao mundo. E se digo tal é porque nascer é ascender. A idade dos cinquenta anos é a idade que, no presente, transmite ao homem a vantagem da visão esclarecida e ainda o privilégio de uma juventude ainda não inteiramente perdida. Há muitos, muitos anos, atingir os cinquenta anos era atingir uma espécie de antecâmara da partida. É por isso que nos dias de hoje os seres humanos têm mais tempo para se cumprirem. Só não posso garantir é que os homens de hoje façam mais e melhor por terem maior esperança de vida…

Eu creio que depois desta sessão, desta aparição pública, deste passo decisivo para edificar uma obra literária, o autor vai sentir-se ainda mais revigorado para seguir um verso a outro verso e a outro verso. Rui Luzes Cabral olha-nos, a partir de agora, do miradouro ‘desse olhar’. ‘Desse olhar’ é o título do primeiro poema do livro aqui celebrado. E logo no segundo poema há um primeiro verso que define ao que vem este poeta: ‘Não amar seria a escuridão’. É o que nos envolve. E tanta gente que à nossa volta vive em escuridão! Na segunda estrofe desse segundo poema sobrevem o alento: ‘Não vale a pena o desalento/Há sempre a poesia/E seja no verso/Ou na estrofe/O incêndio da alegria pode deflagrar’.

O percurso pelos poemas deste livro é um percurso prazeroso e reflexivo. Os versos de Rui Luzes Cabral criam uma atmosfera suave mesmo quando os temas abordados são mais complexos ou doloridos. Como não podia deixar  de ser há um fio de melancolia que perpassa pelo percurso poético desta obra. A melancolia é, aliás, um desiderato próprio a muitos poetas mas nem todos a tratam com a leveza substantiva de Luzes Cabral. Essa melancolia revela-se em diversos textos e muito especialmente no poema que homenageia o Padre Bastos. Padre que prefaciou ‘Como pássaro novo a sair do ninho” e que é manifesta referência pessoal e afetiva do autor. Referência extensiva a Loureiro e a Oliveira de Azeméis. Relevante será referir que, por sua vez, D. Frei Caetano Brandão foi referência de Manuel Pires Bastos e também é referência de Luzes Cabral. D. Frei Caetano Brandão foi o sexto Bispo de Belém do Pará nomeado pela Rainha D. Maria I. Ao falar de Belém do Pará não posso deixar de sentir a respiração de Ferreira de Castro, pois como sabemos em Belém do Pará iniciou a sua cruzada existencial e literária pelas terras da Amazónia. Ele, Ferreira de Castro, que foi uma espécie de alumieira para a literatura de língua portuguesa do séc. XX. A Nossa Senhora da Alumieira é a advogada das parturientes. Fiquei eu a conhecer há pouco tempo, que o povo destas terras bem a conhece, de há muito, como referencial de fé e de culto. E também de esperanças.

O poema ‘Manuel Pires Bastos’ é um poema de muita intensidade e que se sente que muito diz ao seu autor[1]. Define-o, sabiamente, entre muitas outras coisas, como aquele que (cito) ‘Entendia bem a importância de um sobreiro imponente’.

Já o poema que assume o título do livro é um longo poema onde Rui Luzes Cabral se entrega por completo a si próprio e ao mundo. A poesia, enquanto género literário, tem esta característica que é a de expor o seu autor. Costumo até dizer que ‘quanto mais um poeta se esconde atrás dos seus versos mais se revela’. Mas no caso vertente nem direi que Luzes Cabral se pretenda esconder. Ele revela-se e quanto mais o faz mais descansado dorme. Direi que esse é um dos seus segredos para ter êxito na vida pública: ele é como é, ou seja, como se mostra. Utilizando um verso cantado pela diva Tina Turner direi que com Luzes Cabral ‘What you get is what you see’. Traduzindo: ‘o que você terá é que você vê’. É o traço de honestidade pessoal e existencial, é a transparência de Rui Luzes Cabral!

No poema ‘Cinquenta anos’ o poeta diz-nos algo como ‘O essencial nunca se mistura com o banal/Prefiro ser como o trigo/Sentir a filosofia/A poesia’. Este é o genuíno Rui Luzes Cabral. Mas também nos diz ‘As fisgas e os pássaros que fugiram/ E os que cantaram para nós’. Eu entendo estes dois versos como fulcrais no livro e na identificação do genoma Rui Luzes Cabral. Ele já nos tinha dito em 2019, na sua primeira publicação, que se sentia ‘Como pássaro novo a sair do ninho’. E agora, vem recordar o tempo das fisgas mas não recorda os pássaros que atingiu. Não, ele recorda os pássaros que fugiram e os que cantaram para ele. É a sua forma de pedir perdão pelas aves que terá lesado nessas brincadeiras de criança. É a sua forma subtil de pedir desculpa à poesia.       

III

Rui Luzes Cabral diz-nos na abertura do poema ‘O meu mar’ o seguinte:

‘Gostava de ver o mar

Mas o mar está dentro de mim’

Esta metáfora é uma metáfora de muita intensidade. Eu diria mesmo que é uma metáfora poderosa. O poeta tem o mar dentro dele e é por isso que o não vê. Ou melhor, só o vê porque o escreve através dos seus versos. Eis como a poesia se transforma num diálogo entre planos sensoriais. A poesia é seguramente, uma atividade poliédrica. E tem tantos lados quantos aqueles que a inspiração do poeta lhe transmitir.

O poeta possui a clarividência de assumir que a sua vida é uma forma de ‘vaguear’ pelos mundos. Assim no seu poema ‘vagueamos’. Um poema filosofal. Ele que nos diz, homem de esperança, que ‘o amor há de vencer’. Às vezes duvidamos de que assim seja. E quantos com razão para tal! Mas o poeta acredita. Também eu acredito que o amor há de vencer…

No poema ‘Os outros deste mundo’ encontramos uma sequência de múltiplas reflexões. Uma interligação de planos[2]. Mestria do poeta na condução intuitiva dos versos.    

O amor está explicitamente implícito em tudo o que Luzes Cabral nos revela. Diria que o amor é a questão motivacional da sua vida e da sua obra. É por isso que ele escreve. Mas há o amor forma de estar e ser perante o mundo e a sociedade. E há o amor intimidade. O amor desejo. No poema ‘Da forma do teu corpo’, um curto poema, chega-nos um perfume intrinsecamente feminino. Um perfume afetivo que flui e se liquidifica ‘E o sangue corre/Como o rio para o mar/Há que desaguar, sempre/Água doce/Água salgada/Nesse corpo tudo tem sabor/Mesmo na tua ausência’. No poema ‘Mulher’ adensa-se a vertente amorosa em que há uma procura de identificação do outro. No caso, a identificação da outra. O clímax deste texto é proverbial: ‘Nenhuma mulher será mulher/Verdadeiramente/Se renunciar a ser mãe dela própria’. Aqui está uma outra forma de a poesia de Luzes Cabral nos sugerir o encantamento criador do ato poético. Trata-se de um apelo para que a mulher, para que o ente feminino, nunca deixe de ser mãe de si própria, isto é, nunca perca a identidade única com que nasceu.

No poema ‘Frio’ encontramos a dicotomia entre ser e sentir. Poema que termina com um verso liminar: ‘Saibamos amar o frio’. De facto, o poeta que apenas amasse o calor e o aconchego nunca poderia procurar (muito menos encontrar) a essência de viver.

Num outro poema, Luzes Cabral fala-nos de um outro tipo de frio. O frio da longa noite ditatorial que assolou Portugal durante quarenta e oito anos. E fá-lo enaltecendo a revolução dos cravos. De facto, cada vez mais necessitamos de que se faça a execração das ditaduras, a execração da violência sobre o outro que é diferente de nós. É preciso enaltecer todas as ações que geraram os impulsos genuínos e a liberdade. Compreender a história é escrevê-la nas linhas direitas que só a liberdade nos pode confiar. É preciso escrever direito pelas linhas direitas. Temos de erradicar as linhas tortas. Atentemos nos últimos quatro versos do poema ‘25 de abril’: ‘Para ser livre, sê escravo/Da verdade, do bem e do amor/E na flor, símbolo, como o cravo/Lança ao mundo a luz desse clamor’.

Não são muitos os momentos em que encontramos uma consagração religiosa do poeta. De sua graça ele gera luzes. A luz no plural. Há uma emergência espiritual no roteiro deste escritor de climas interiores. No poema ‘Oração’ sentimos essa emergência. É um poema intenso a cujos versos o autor se entrega sem reservas mas com a imensa subtileza e hipersensibilidade que luz em suas palavras e versos. Assim como uma oração, vive e pulsa o poema ‘Amar a vida’. Um texto de longevidade interior. Um texto que nasce como se sempre tivesse habitado uma pauta de música. Uma das estrofes diz-nos ‘Quando amamos um ser humano/Sentimos que amamos todos os seres humanos/…/ Sentimos que amamos com toda a urgência/Porque não amando, não sabemos o que é o ser humano’

IV

Luzes Cabral muniu-se de simplicidade num curto poema a que chamou ‘Vale a pena’ (pg. 91) desafia Pessoa, o Fernando que poucos ousam decifrar. E resolveu parafrasear Fernando Pessoa mas fê-lo a contrario senso. Pessoa diz-nos no início da segunda estrofe do poema ‘Mar Português’: ‘Valeu a pena? Tudo vale a pena/Se a alma não é pequena’. Pois Luzes Cabral diz-nos: ‘Quando a alma é pequena/Ainda vale mais a pena’. Este poema merece ser meditado. De facto, alguns dos poemas de ‘9 de Maio’ obrigam-nos mesmo a pensar. É que este livro de poemas não se pode ler com ansiedade ou pressa. É necessário o vagar dolente da contemplação.   

Há um poeta português que tem andado muito longe do público, poeta chamado Paulo Brito e Abreu, que tem um livro admirável intitulado ‘Agricultura Celeste’. No poema ‘Cinquenta anos’, Luzes Cabral diz-nos a dado passo:

‘Tratado de sabedoria para a vida de todos os dias/Poesia maior/Cultivada como faz o agricultor/Cheio de amor/Ver crescer e cuidar/Colher e alimentar/Tudo pode ser vaidade/ Se te distraíres ou se nunca aprenderes a reparar/Depois de olhares, depois de veres’

Este livro do cinquentenário do nascimento do poeta, este ‘9 de Maio’ publicado em 2025, é bem uma espécie de agricultura de palavras. Palavras que lançadas à terra ou ao mar, lançadas aos céus espirituais, germinam dentro da cabeça e do coração dos leitores acabando a gerar raízes, a criar flor e, depois, fruto. E também filosofias. Há nos poemas deste livro uma agricultura carnal e uma agricultura de liberdade. Creio, aliás, que a liberdade é o fator principal, talvez pudesse dizer a alumieira essencial deste poeta que já de si tem em sua graça não uma luz mas sim luzes. Luzes que são múltiplas. O seu nome não deixa por mãos alheias a missão que cumpre junto dos seus, junto daqueles que mais ama. Junto dos seus conterrâneos e junto, também, dos seus amigos que os há de muitos lados que não apenas da sua terra.

Rui Luzes Cabral ama a Humanidade. Nisso é muito bem acompanhado pelo Padre Bastos e pelo Frei Caetano Brandão. Mas também muito bem acompanhado por aquele que amou Ossela, o Rio Caima, Oliveira de Azeméis, Portugal e a Amazónia, lugar onde depois de Belém do Pará, redescobriu o Brasil através da sua selva. Claro, refiro-me a Ferreira de Castro.

Rui Luzes Cabral lança palavras que formam versos e que por sua vez edificam árvores que são poemas. Pois que um poema é uma árvore cujos ramos são os versos. As palavras que o poeta lança sobre as páginas dos livros são sementes. E bem que ele sabe porque são sementes nessa agricultura que gera mulheres e homens melhores no seu viver, na sua cidadania, no seu amar, no seu destino.

Termino a minha intervenção com o poema da página oitenta e um, o poema ‘Fica a Semente’: ‘Pouso o olhar/Sobre os meus pensamentos/E desse ramo forte/Avisto-me por inteiro/É a viagem essencial/Conhecer a paisagem/Que nascida do fruto depois da flor/Chorou e sorriu/Neste caminho a caminho/Levanto os pensamentos/Sobre os olhares/E nessa floresta/Perco-me por inteiro/Fica a semente’.

Sim, digo eu agora: Rui Luzes Cabral é uma semente que lança sementes para melhorar a agricultura da alma da Humanidade, tendo sempre por companhia ‘os pássaros que fugiram’, aqueles que são livres.

Mário Máximo

[1] ‘Padre Bastos/Uma referência//Feliz coincidência/Apareceu-nos no século XX/Flor perfumada de agrestes versos em tenra idade/Muitas memórias foram reveladas/Poesias sussurradas’; ‘D. frei Caetano Brandão foi a sua Alumieira/Entusiasmado com o simples e o profundo/O belo e o transcendente/Entendia bem a importância de um sobreiro imponente.’; as duas anteriores estrofes constam do poema ‘Manuel Pires Bastos’ na pg. 106 de ‘9 de Maio’.  

[2] ‘O que conta é chegar/Aceitar/Mesmo não sabendo/Mesmo não entendendo/Mesmo quando se chega/Já tarde/Sabemos/Que pelo menos/Chegamos/À vida de alguém’, in o poema ‘Os outros deste mundo’, pg. 41.

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