“Quadras e Sonetos” de Alberto Miranda no “Entre quem lê”, Feira do Livro de Vila Real

Apresentação no dia 25 de setembro, 17h30, nos Claustros do Antigo Governo Civil de Vila Real. Apresentação por Vítor Nogueira.
“A poesia de Alberto Miranda (Bragança, 1912–1992) constitui um exemplo singular de resistência estética à voragem das vanguardas e das transformações socioculturais do século XX. Atuando entre as décadas de 1940 e 1980, Miranda inscreveu-se, de maneira consciente, na tradição lírica portuguesa, retomando as formas fixas — em especial a quadra e o soneto — para construir uma obra de forte enraizamento telúrico e imagético”. (Maria João Cantinho, no prefácio à obra)
” A presente edição constitui, desta maneira, uma forma de agradecimento, por tudo o que aprendi sobre Literatura, sobre Poesia e sobre Crítica Literária. Por tudo o que aprendi sobre tempo de qualidade, também agradeço e tento perpetuá-lo com o meu neto Alban. Houve um tempo de afecto enorme, um tempo em que rimos e chorámos, um tempo em que analisámos a História, as decisões políticas, os conflitos sociais, as personalidades marcantes da época, os grandes artistas e escritores. Pela mão do meu avô recebi livros que li, comentei e resumi, tratando-se este gesto de uma forma pedagógica de me sensibilizar, quer para a profundidade da leitura, quer para o pensamento crítico”. (Marília Miranda Lopes, neta do autor, coordenadora da edição)
Algumas apreciações sobre a poesia de Alberto Miranda
“Há, no entanto, na sua poesia, uma revelação constante de cultura literária humanística com largos conhecimentos dos valores estéticos da sua época.” (Otílio Figueiredo)
“Em alguns sonetos chega a atingir rara grandeza, podendo equiparar-se a consagrados de figuras literárias de relevo.” (Revista CNA)
“A mestria do ritmo, dom que persiste desde os primeiros livros que lhe conheço e lhe conferem o direito de assento entre os bons poetas de raiz popular (notáveis algumas das suas quadras); a busca da imagem precisa, condizente com uma inquietação que lhe anima momentos de forte vivência, em que o eu se perde e se reencontra; a expressão de uma desencanto que algo terá a ver com certo condicionalismo criativo e com imponderáveis afectivos — temática da poesia de sempre; o travejamento sólido da arquitectura discursiva, em que a linha sintagmática avança numa ondulação dotada de pronunciada simetria — eis algumas características da linguagem de Alberto Miranda (…)” (António Cabral)
“Alberto Miranda tem, decididamente, o dom da poesia total, isto é, da que se sente e da que se escreve (…) O dom de apreender poeticamente a realidade prolonga-se no dom de a recriar em formas clássicas cheias de sonoridade e harmonia (…).” (A.M. Pires Cabral)
“Nos seus poemas há proporção, leveza, graciosidade e poesia” (Ângelo Minhava)
“Alguns dos seus sonetos (…) agradam-me deveras. São versos dum poeta” (Hugo Rocha)
“Os seus poemas (…), mesmo aqueles que aderem à corrente do verso branco, conquistam a minha admiração: têm ritmo, têm substância e a sua filosofia.” (Carlos Valle)
“Alberto Miranda, poeta dotado de pensamento elevado e fácil inspiração (…). Os seus poemas deixam-nos um travo de fruição inesquecível.” (Rebelo Bonito)