Memórias de uma Mobylette Azul-Cueca, de Jorge Coimbra

Memórias de uma Mobylette Azul-Cueca, de Jorge Coimbra

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Este livro é um relato de memórias de adolescência feito numa escrita jovial e despretensiosa, de tom vivo, fresco e pictórico, (des)centrada numa personagem algo inesperada e talvez muito improvável: uma Mobylette azul-cueca (ela prefere, obviamente, azul-bebé) francófona, seleta, muito ciosa das suas origens e do seu pedigree, que assume descomplexadamente a autoria da narrativa da(s) história(s) de um adolescente, numa ex-colónia portuguesa em África. É esta Mobylette, que a criatividade de Jorge Coimbra promove de ser inanimado a narradora omnisciente, alternadamente, observadora atenta e perspicaz, interlocutora e confidente privilegiada, cúmplice assumida ou mesmo alter ego da (verdadeira) personagem principal – um adolescente, na Lourenço Marques da década de sessenta do século passado. 
Toda a narrativa, de uma simplicidade por vezes comovente, tocada a quatro mãos (ou duas mãos e duas manetes), visa os principais desafios da adolescência, como sejam as relações e tensões familiares, a vida escolar, a descoberta da sexualidade, os amores e desamores, as amizades e a pressão dos pares, as questões de autoestima, os momentos de rebeldia, a angústia das decisões para o futuro, em resumo, as dores do crescimento, tão típicas desta fase da vida. 
(Rosinda Vieira, no prefácio à obra)

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