Terra em Fogo (romance) / Flávio Capuleto
texto da contracapa
“A vida no bairro da Samba não era fácil. A maioria dos homens que ali moravam trabalhava em empregos duros, alguns no porto de Luanda, carregando e descarregando barcos enormes, outros no saneamento das ruas abrindo valas e em ofícios mal remunerados: varredor, servente, porteiro. Negras iam ao mercado de S. Paulo vender peixe seco, mandioca, abacaxi, negras capinavam, lavavam roupa, negras eram criadas para todo o serviço em vivendas importantes de bairros sumptuosos. Muitos rapazes da sua idade trabalhavam também. Eram paquetes, ardinas ou iam servir nas casas dos magnatas europeus. Os que ficavam de fora espalhavam-se no morro, em lutas, jogos, proezas. Esses eram ao mais novos. Mas o destino estava-lhes marcado: cresceriam até mostrarem físico e iriam para a roça até ficarem esgotados de trabalho, ou ganhariam a vida nas empresas. E ficavam submissos porque desde há muitos anos assim vinha acontecendo: os meninos dos bairros chiques iam estudar no Liceu e nas universidades da metrópole, seriam doutores de leis, médicos, engenheiros, empresários, magnatas, homens de nome. E eles, pretos, que viviam em bairros miseráveis, chafurdando na lama, iam ser os lacaios destes homens. Para isso é que existia o musseque e os seus habitantes. Lição que o negro Luandino aprendeu cedo. Como nas vivendas coloniais havia a tradição de homem notável, médico famoso, advogado de sucesso, orador distinto e político de carreira, no musseque havia a tradição da submissão ao senhor branco…”
exemplar em muito bom estado | livro raro
15×20,5cm – 260 páginas
Edição do Autor, 1979

