A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky / V. I. Lenin

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Kautsky, a maior autoridade da II Internacional, constitui um exemplo extremamente típico e claro de como o reconhecimento verbal do marxismo conduziu, de facto, à sua transformação em ‘struvismo’ ou em ‘brentanismo’ (isto é, numa doutrina liberal burguesa que reconhece uma luta ‘de classe’ não revolucionária do proletariado, o que foi expresso com particular clareza pelo escritor russo Struve e pelo economista alemão Brentano). Vemo-lo também no exemplo de Plekhánov. Com claros sofismas esvazia-se o marxismo da sua alma revolucionária viva, reconhece-se no marxismo tudo menos os meios revolucionários de luta, a sua propaganda e a preparação, a educação das massas precisamente nesse sentido. Kautsky, ‘concilia’ sem princípios a ideia fundamental do social-chauvinismo, o reconhecimento da defesa da pátria na presente guerra, com uma concessão diplomática e simulada às esquerdas sob a forma de abstenção na votação dos créditos, do reconhecimento verbal da sua oposição, etc. Kautsky, que em 1909 escreveu todo um livro sobre a aproximação de uma época de revoluções e sobre a relação entre a guerra e a revolução, Kautsky, que em 1912 assinou o Manifesto de Basileia5sobre a utilização revolucionária da guerra futura, justifica e embeleza agora de todas as maneiras o social-chauvinismo, e, como Plekhánov, junta-se à burguesia para ridicularizar toda a ideia de revolução, todos os passos visando uma luta directamente revolucionária. (do prefácio)